Essa tarde, senti seu cheiro por entre o vento. Aquele perfume tão marcante, me deixou imersa nas minhas lembranças. Me fiz perguntas, me fiz respostas, mas nada me equilibrava novamente.
Me ocupei com futilidades, que desde sua partida, se fizeram uteis de alguma forma, mas nem minha ultima rota de fuga adiantava.
Foi então que te liguei. Meu coração batia mais forte a medida que chamava até quem do outro lado você atendeu. Sua voz era doce, calma, e não era triste. Era sua voz. Aquela que eu ouvia toda noite antes de dormir, aquela que me contava sonhos, aquela que dizia promessas... aquela também que me disse adeus. Então desliguei o telefone.
Como um ser humano normal, mergulhei no processo da realidade. Vi que nossos castelos e nomes marcados na areia seriam levados pelas ondas. Vi também que por mais que me dissessem para que eu tentasse esquecer, eu mesma não queria aquilo. Era bom ter você na minha mente, ainda sentir o calor que você me causou por tanto tempo. Tudo era bom até eu acordar qualquer dia desses chamados "dia apos o outro". Vi que era preciso sofrer, ou melhor, foi necessário sofrer. Não ser masoquista, mas um pouco irrealista.
Quado você pegou aquele trem, apenas me acenando e tentando esboçar um aliviante sorriso, me achei culpada por não chegar antes do trem e dizer que você deveria ficar... Porém me atrasei comprando flores. E hoje as agradeço.
Elas me ajudaram a guardar seu perfume e toda vez que o sentisse, lembraria de você de uma maneira doce. Boa.
Assim, alguns anos depois daquele dia, sentada nesse mesmo trem, desperto de um cochilo, e abro a janela do meu vagão. Avisto todo esse jardim afora e percebo que você estará comigo por todo lugar que se fizer belo, e me ajudará a sempre sorrir, assim como as rosas.
Sem mais.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
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